Um dia desses deparei-me com uma situação engraçada no serviço e que me fez refletir sobre as nossas relações e interações que temos em nosso meio de convivência.
Enquanto limpava o escritório, observei que a moça da limpeza regava uma planta que fica na sala de espera e, vendo isso, perguntei o que ela fazia já que a planta era daquelas artificiais; a resposta foi que ela regava todas as vezes que limpava lá e na hora começamos a rir, pois ela não sabia que não era de verdade por ser tão semelhante a uma verdadeira.
Passado esse episódio, sempre me vinha à cabeça essa situação por ser tão mais comum em nosso dia a dia, em outras situações das quais passamos. O que temos regado em nossos dias? As nossas relações? Nosso trabalho? Amizades? Será que temos a certeza de que estamos regando algo verdadeiro e que crescerá/frutificará ou estamos colocando nossos esforços em algo artificial?
Regar algo “artificial” não me parece distante, vejo constantemente pessoas nessa situação, algumas como essa moça que regava a planta do escritório que regava por acreditar que era real, mas vejo ainda mais pessoas que querem acreditar que aquilo(“artificial”) lhes trará frutos futuramente. É um engano, é um esforço dispendido sem retorno algum. Quantas relações se mantêm dessa maneira e acabam por nenhuma das partes se entregarem de verdade nesse projeto de vida, quantos empregos ocupados por comodismo e nenhum entusiasmo de que se esteja fazendo algo que verdadeiramente faça sentido, quantas amizades mantidas somente por conveniência e não por fazerem parte da história.
Acredito, piamente, que o que colocamos no regador da vida sejam a esperança e vontade de que as nossas interações com o mundo, com as pessoas nos traga a sensação de que estamos sendo úteis de alguma forma, não necessariamente traga um retorno intencional ou material. Não há nada mais gratificante do que nos fazermos úteis e servir para o bem estar daqueles que amamos ou queremos bem, esse é o retorno e, em sua maioria, é espontâneo, regamos porque já virou um hábito, um hobby ou porque traçamos um objetivo maior e regar faz parte da trajetória de alcance. E tudo isso só é possível se tivermos a certeza de que as nossas relações e buscas não são artificiais. Insistir em algo com essa natureza é enganar-se! E como a vida é uma interação entre partes, não sejamos a parte artificial na vida de quem quer que seja.

